Vegetarianismo: crescimento, estilo de vida e saúde

De acordo com a Associação Vegetariana Portuguesa (AVP), o vegetarianismo exclui a presença de carne e peixe da alimentação, podendo ou não incluir derivados de origem animal. Mais do que uma simples tendência, pesquisas apontam que o vegetarianismo representa um estilo de vida que chegou para se tornar parte da rotina dos portugueses.

Segundo dados publicados pela empresa AC Nielsen para o Centro Vegetariano, 1,2% dos portugueses declarou não consumir carne nem peixe no ano de 2017, uma evolução surpreendente em comparação aos dados do ano de 2007, cujo percentual de indivíduos que se declaravam vegetarianos era de aproximadamente 0,3% da população. Além disso, o estudo apontou para uma redução, ainda que subtil, no consumo frequente de carne e peixe, indicando uma tendência para um consumo mais moderado destas proteínas na alimentação diária. Além de contribuir para a redução de impactos ambientais, a literatura científica aponta que as dietas vegetarianas estão atreladas a uma maior longevidade e, simultaneamente, à menor incidência de doenças crónicas não transmissíveis (DCNTs).

A revisão de Tomova et al. (2019), por exemplo, avaliou os efeitos da dieta plant-based na composição da microbiota intestinal e na produção de metabolitos intestinais. Os resultados mostraram que o consumo de uma dieta vegetariana ou vegana pode ser uma estratégia efectiva para aumentar a presença de bactérias benéficas no intestino, que produzem diferentes ácidos gordos de cadeia curta – compostos que otimizam a absorção dos nutrientes da dieta, aumentam a integridade da barreira intestinal e ajudam a fortalecer o sistema imunitário. No entanto, apesar dos inúmeros benefícios de uma dieta plant-based, é importante a adoção de certos cuidados para evitar carências nutricionais, como por exemplo a suplementação com vitamina B12.

vitamina B12 ou cobalamina está envolvida em diversos processos no organismo, nomeadamente, no funcionamento adequado do sistema nervoso, na biossíntese da glicose e de bases nitrogenadas na hematopoiese. A reduzida ingestão desta vitamina resulta no desenvolvimento de anemia megaloblástica, responsável pelo aumento no tamanho dos eritrócitos,na ocorrência de formigueiros nas extremidades do corpo e em alterações neurológicas e gastrointestinais. Tanto os vegetarianos como os veganos tendem a apresentar uma redução dos níveis séricos de vitamina B12, de acordo com o estudo EPIC-Oxford, que apontou que 52% dos veganos, 7% dos vegetarianos e 1% dos omnívoros apresentaram deficiência deste micronutriente.

Portanto, considerando a tendência no aumento de vegetarianos em Portugal, embora ainda haja algumas controvérsias na matéria, a maioria dos investigadores afirma concordar com a recomendação para o consumo regular de vitamina B12 através de alimentos fortificados ou de suplementos alimentares.

Referências

AVP – ASSOCIAÇÃO VEGETARIANA PORTUGUESA. O que é o vegetarianismo? Disponível em: https://www.avp.org.pt/informacao/o-que-e-o-vegetarianismo/. Acesso em: 2 ago 2019. BAENA, R.C. Dieta vegetariana: riscos e benefícios. Diagn Tratamento, v. 20, n. 2, p. 56-64, 2015. CARDOSO, O. et al. Vitaminas hidrossolúveis (B6, B12 e C): uma revisão bibliográfica. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 11, n. 8, 2019. CENTRO VEGETARIANO. 120000 Vegetarianos - Número quadruplica em 10 anos. 2017. Disponível em: https://www.centrovegetariano.org/Article-620-Numero-vegetarianos-quadruplica-10-anos-Portugal.html. Acesso em: 2 de ago 2019. GILSING, A.M.J. et al. Serum concentrations of vitamin B12 and folate in British male omnivores, vegetarians and vegans: results from a cross-sectional analysis of the EPIC-Oxford cohort study. European journal of clinical nutrition, v. 64, p. 933-9, 2010. TOMOVA, A. et al. The Effects of vegetarian and vegan diets on gut microbiota. Frontiers in Nutrition, v. 6, n. 47, 2019.

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